CGE capacita ouvidores para mediação de conflitos 13/03/2026 - 10:16

A Controladoria-Geral do Estado (CGE) promoveu capacitação sobre mediação de conflitos e saúde mental direcionada aos profissionais que trabalham em ouvidorias. O encontro virtual foi idealizado pelo Dia do Ouvidor, comemorado na próxima segunda-feira (16), e trouxe a mestra em psicologia, Suédina Brizola Rogatto, professora da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP).

Mais de 150 ouvidores acompanharam, on-line, as orientações sobre como lidar com demandas complexas e manter a qualidade do serviço público sem comprometer o bem-estar emocional. O vídeo está disponível no canal da CGE PR, no YouTube, para que possa ser acompanhado por outros ouvidores e por quem tem interesse no assunto.

A coordenadora de Ouvidoria, Letícia Dohms, abriu a capacitação cumprimentando todos os ouvidores da rede do Estado e ressaltando a importância da escuta atenta, qualificada e humanizada. Ela elogiou a integridade, humanidade e coerência dos profissionais, qualidades que permitem alcançar o impacto real no interesse público.

“O ouvidor transforma demandas individuais em oportunidade de aprimoramento dos serviços públicos. Esse serviço exige habilidades comportamentais e socioemocionais para lidar com o dia a dia, o que muitas vezes é a parte mais desafiadora”, afirmou.

A professora Suédina contextualizou o trabalho da ouvidoria na sociedade atual, que ela classificou como narcisista, em que os valores principais são prazer, individualismo e exibicionismo. Isso faz com que o outro seja visto como objeto e leva a adoecimento psíquico, caso não sejam adotadas algumas estratégias para preservar a saúde mental.

PERFIS - Ela apresentou um panorama dos organizadores psíquicos, conceito da psicologia para identificar tipos de atitudes das pessoas que chegam à ouvidoria, nos casos mais complexos de atendimento. A professora ressaltou que o cidadão precisa, antes de mais nada ser ouvido com atenção e acolhimento, para descobrir qual a sua real necessidade.

“A pessoa que insiste na reclamação, por exemplo, pode ser uma pessoa que está frustrada, que não resolve a frustração onde tem que resolver, e vai tentar isso, inconscientemente, na ouvidoria”, exemplificou. Suédina se baseou no caso de um cidadão que registrou 150 reclamações em um ano.

Por causa de situações em que é preciso lidar com o adoecimento psíquico do outro, o trabalho da ouvidoria pode ter alto indicativo para burnout, de acordo com a professora. Ela citou algumas ferramentas e atitudes para ajudar o ouvidor a não se envolver em demasia no problema que chega até ele.

“Nós amadurecemos nos relacionamentos, e isso vai acontecer nas mediações de conflitos”, disse, reforçando a necessidade de discutir as situações e casos especiais com supervisores e colegas. Porém, alertou para a necessidade de se ter um tempo para si, como atividade de leitura de ficção, exercício físico ou outra ação que desconecte, por um período, o profissional de sua profissão.

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